domingo, 29 de abril de 2012

A Democracia Perversa


 

''A democracia, entendida no sentido republicano como uma vida pública saudável e vibrante que amadurece e esclarece o ego privado, rapidamente se deteriorou sob os imperativos do crescimento e da guerra''. Alan Wolfe (1985)
      Os EUA são os principais representantes dos valores conquistados pelos meios democráticos. Esses valores foram idealizados através de um movimento pela construção de uma democracia republicana com os ideais de liberdade em seus alicerces profundamente defendidos pela formação política do país em seus primórdios. Sem dúvida quando se fala em uma democracia mundial, o senso comum destaca primeiramente o modelo político estadunidense, como se esse modelo fizesse parte de uma doutrina democrática com seus ideais e valores morais que devem ser seguidos e copiados para o bom convívio entre os povos. Mas então que democracia é essa que se comporta como defensora dos ideais e valores democráticos e, ao mesmo tempo, promove guerras, invasões e massacres disseminando o terror através de uma gigantesca máquina de guerra, sendo esse país considerado um exemplo de democracia e liberdade? Os EUA se envolveram, e continuam se envolvendo, em várias guerras de dimensões catastróficas no planeta na história recente. Prevalece o sistema de ‘’guerra aos fracos’’ (Ver texto: ‘‘Guerra aos Mais Fracos e Vulneráveis’’) tragicamente  estabelecido ainda no período da Guerra Fria, ou seja, a guerra direcionada contra estados e nações fracos e de populações vulneráveis que não podem reagir à agressão á altura.
     Dentro da complexidade da questão, intelectuais estudam e ocorre produções de  trabalhos sobre as características do modelo de democracia dos EUA. O que alguns estudiosos definem, como o sociólogo estadunidense Alan Wolfe, são as formas, como ocorreu às deformações dentro do sistema democrático estadunidense e as implicações desse fenômeno que possibilitou a ascensão de novos atores hegemônicos políticos e econômicos. Essas novas forças hegemônicas controlam a sociedade daquela que é considerada a maior democracia desenvolvida do planeta estabelecendo um modelo político e econômico modernizador, expansionista e perverso. Como já mencionei em outro texto, a maior parte da oposição ao militarismo dos EUA vem dos cidadãos mais esclarecidos do próprio país.  Vamos então as análises sociológicas e históricas  de Alan Wolfe e suas abordagens sobre as características da democracia estadunidense e suas implicações para a sociedade do país e para a humanidade:
   ‘’Nos EUA, duas concepções de democracia rivalizaram entre si, uma baseada na noção de república, outra se voltou para a expansão modernista. Uma forma republicana de governo seria de pequena escala, regionalista, pacifista, virtuosa, elitista e o modelo democrático era composto tipicamente por uma classe media, onde os cidadãos decidiriam seu destino por contratos diretos. Uma republica democrática seria reflexiva, deliberada e estável, incompatível com uma rápida industrialização ou com preparações bélicas. Por outro lado, as elites modernizadoras mantinham uma política nacionalista, belicosa, crescente, dinâmica e desejavam usar o estado para seus propósitos de expansão militar e industrial. Os nacionalistas precisavam de um projeto para superar a resistência republicana e o período entre a guerra Hispano-Americana (1898) e a deflagração da Primeira Guerra Mundial (1914-1918) contribuíram aos seus propósitos pela arte de mobilizações das paixões populares, implementadas por lideres modernizadores como Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson. Quando as energias democráticas se uniram as tendências modernizadoras, criou-se uma nova forma de democracia popular irritadiça, facilmente manipulável e demagógica. A guerra foi o ingrediente essencial para transformar o republicanismo democrático em democracia perversa (WOLFE, 1985, p.211-213).
   A guerra contribuiu sobre qualquer outro fator para a expansão da política nos EUA. Essa ‘’organização do entusiasmo’’ conseguiu reunir vastos contingentes de jovens trabalhadores operários e camponeses para sacrificar suas vidas em combate em todos os cantos do país para um ‘’bem comum’’. A guerra e a democracia perversa passam a se reforçar mutuamente. A manipulação desencadeada pela guerra tornou-se um modelo da dinâmica da opinião publica na democracia moderna. A própria guerra difundiu os laços uniformizadores e homogeneizadores que constituem os critérios de cidadania na democracia perversa. A democracia permitia aos despossuídos uma utopia onde a opressão da vida cotidiana cederia á camaradagem, á dignidade, á honra e à igualdade entre todos. A guerra contribuiu para esse ideal, mesmo de forma distorcida. A guerra oferece uma maior gratificação democrática e, conseqüentemente, um elevado controle estatal e uma maior concentração de poder na autoridade executiva. A guerra pervertera as demandas democráticas e a democracia perversa avançaria quando as demandas de crescimento se somaram as exigências da guerra (WOLFE, 1985, 214).
     Nos EUA, o crescimento econômico é um elemento considerado intrínseco à democracia porque esse crescimento representa a prosperidade material. Se o crescimento econômico entrar em crise, a democracia é afetada da mesma forma. Os benefícios adquiridos pela guerra e o crescimento econômico, simbolizado pelo Produto Interno Bruto – PIB, acentuou o escopo quantitativo da democracia, mas à custa da sua qualidade. Como descreve Wolfe no texto Política Perversa e Guerra Fria (1985), nenhuma sutileza do pensamento político esclarecido sobreviveria ao materialismo crasso da expansão econômica e a homogeneidade crassa da militarização:
 O estado democrático moderno foi tão amplo na base quanto estreito em propósitos. As tarefas do estado determinaram o que se permitiria como demanda democrática, mais do que as demandas democráticas moldaram o caráter do estado. A vida publica devia girar em torno da guerra e do crescimento, e a democracia deveria se adaptar a isso. A democracia se adaptou. Na verdade, uma sociedade de massas composta por indivíduos geralmente não pensantes, freqüentemente ignorantes, complacentemente privatizados, a expressar sua vontade em atividades publicas descontextualizadas, fragmentadas e impotentes, de forma a-histórica e muitas vezes contraditória, dificilmente seria um obstáculo a realização do crescimento e da guerra, e ate parecia a muitos o sistema mais perfeito possível para realizar esses fins (WOLFE, p. 215, 1985).
    Segundo Alan Wolfe, a Guerra Fria contribuiu inteiramente para transformar a democracia estadunidense de uma visão republicana para uma revisão modernizada perfeitamente adaptada as lutas da guerra e as tarefas de expansão do estado. Ao invés de sustar a guerra, a democracia contribuiu com ela. A união entre a guerra e a democracia perversa se solidificou com a permanência da tensão internacional, mas foi com as inovações tecnológicas (incluindo a nuclear) que a se problematizaria a questão unindo tecnologias militares sem precedentes a uma ignorância política sem precedentes. Comprimidos entre memórias democráticas e realidades de alta tecnologia, os estadunidenses se entregam ao fetiche em apoiar as guerras e ao mesmo tempo se portarem como ‘’pacificadores’’. Na mente do povo, a guerra ainda tem uma relação com honra e dignidade. Quando se envolve ameaças a segurança nacional, a sociedade se volta toda ao manto militarista. A oposição invoca o governo, os sindicatos participam, os meios de comunicação cooperam, sacrificam-se os orçamentos equilibrados, tolera-se a inflação e aceitam-se os déficits comerciais. Em suma, nenhuma outra questão é mais manipulável do que a envolvendo a segurança nacional (WOLFE, 1985, p.216-221)’’.
     A facilidade da manipulação descrita por Wolfe é assegurada por um enorme mecanismo de controle econômico, educacional e midiático. As vítimas desse sistema são inúmeras, desde os trabalhadores recrutados como soldados do país (Os soldados que morrem nas guerras são, geralmente, das classes mais pobres da população dos EUA) até os infelizes habitantes das regiões assoladas pela guerra ao redor do mundo. Nos dias atuais, a sociedade dos EUA permanece em sua nostalgia delirante e perigosa da dogmática segurança nacional. Como afirma Wolfe, a ampliação da guerra e o crescimento da democracia perversa seguem juntos. É ‘’a barraca militar, onde todos dormem lado a lado’’. Quando as guerras de hoje terminar, certamente, outras irão começar, resta saber quem serão as próximas vítimas da hegemônica máquina de guerra mundial. A grande mídia já atua na preparação do terreno para novas investidas militares sempre nas áreas mais pobres do planeta.
   
Referências:
-WOLFE, ALAN. Política Perversa e Guerra Fria. Coletânea de textos: Exterminismo e Guerra Fria. Editora Brasiliense. São Paulo, p. 206-237. 1985

-Foto: Massacre de Mi Lay, Vietnã (1968) :
MUNDIAL, COPYRIGHT. O Livro da Vida: Morte por Atacado. Londres: Marshal Cavendish Limited, 1971. P. 2362-2367.





  

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quarta-feira, 21 de março de 2012

A corrida armamentista dentro da corrida armamentista




A tabela acima mostra o imenso desenvolvimento técnico das indústrias de armas na atualidade, segundo dados do Instituto de Pesquisas da Paz de Estocolmo - SIPRI. As empresas que mais produzem artefatos de destruição e morte no mundo são dos EUA, incluindo na lista estão outros países como Grã-Bretanha, Rússia e Itália. O colosso industrial militar atual, construído após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), desenvolveu um poder econômico e político de grandes proporções a ponto de conseguir submeter às pesquisas mais avançadas em tecnologia ao seu comando. Esse desenvolvimento técnico e cientifico garantiu grandes avanços tecnológicos e, dessa forma, ganhou defensores do continuísmo desse processo nas principais potências bélicas mundiais. As corridas armamentistas mundiais são combustíveis para a produção, desenvolvimento e comercialização de armas. Quando falamos em corrida armamentista mundial, denominamos as relações internacionais entre os Estados que possam se elevar a um nível de tensão culminando com demonstrações de força militar a qual depende de dispendiosos investimentos de recursos financeiros devido ao alto custo dos materiais bélicos. O Estado moderno não abre mão da sua soberania e do controle sobre o seu território. No entanto, as grandes potências, historicamente, costumam definir os direcionamentos das relações internacionais de acordo com seus interesses estratégicos podendo acarretar em intervenções militares se julgarem necessário na defesa de seus interesses.
   São várias as corridas armamentistas que ocorrem atualmente no planeta, mas tem uma corrida armamentista que é pouco conhecida e essa ocorre no interior das próprias corridas armamentistas nas grandes potências bélicas, como os EUA. Durante a Guerra Fria, os EUA e a URSS se transformaram em verdadeiros complexos industriais militares, mas ocorria uma diferença entre ambos as superpotências naquele período. Na URSS, as forças armadas estavam todas subordinadas ao sistema burocrático estatal e constituíam um mesmo conjunto submetido ao total controle do governo e, dessa forma, não havia distinções entre as forças naval, aérea, terrestre e estratégica. Nos EUA, a situação era muito diferente, no interior da corrida armamentista e na produção maciça de armamentos, ocorria à disputa entre as forças armadas para mais verbas e recursos do Estado. Exército, Marinha e Força Aérea disputavam recursos do governo e as empresas, vinculadas as forças, competiam também entre si para conseguir ampliar o fornecimento de armas desencadeando uma corrida armamentista dentro do próprio estado, pois sendo o Estado o comprador é ele que garante os lucros dos negócios surgindo um poderoso ‘’Lobbes de armamentos’’ que se perpetuou no interior da política e da sociedade dos EUA. A URSS perdeu a corrida armamentista e um dos fatores foi por não ter em seu interior um Estado dentro do Estado como era, e ainda é, o setor armamentista nos EUA. A influência do setor de armamentos cresceu a ponto de militar a própria política transformando, segundo o historiador britânico Edward Thompson, os próprios armamentos em agentes políticos.
  A concorrência entre as corporações e as disputas entre as forças armadas por mais recursos contribuíram para a crescente militarização da política. A frágil democracia dos EUA se adaptou ao sistema e a sociedade também. Ainda segundo Thompson, a influência dos sistemas de produção de armas tornou civil o setor militar e em contrapartida mais civis se militarizam contribuindo para o controle da opinião e se amparando na perpetuação da crise bélica. Thompson afirma interessar aos grupos dirigentes a permanecia da crise bélica mundial para legitimar seus papéis, interesses e privilégios e desviar a atenção da evidente irracionalidade das operações. Dessa forma, se entende porque novos antagonismos são criados e justificados para a permanência da corrida armamentista e da crise bélica. Em meio à crise econômica atual,  o governo de Barack Obama anunciou investimentos de cento e cinqüenta bilhões de dólares no desenvolvimento de novas armas e o orçamento de defesa atual continua em mais de meio trilhão de dólares, ou seja, no mesmo patamar dos últimos anos do governo Bush.
   Os defensores dos investimentos em pesquisas bélicas alegam o extraordinário desenvolvimento técnico adquirido pela produção de armas como geradores de grandes avanços para a humanidade em conhecimento. No entanto,  segundo outras análises, apesar dos avanços técnicos desse processo, ele não representa um progresso efetivo, mas sim constitui em um sistema parasita e arbitrário que precisa ser superado pela humanidade, o que será analisado em outro texto.
Referências:
THOMPSON, Edward. Notas sobre o exterminismo, o estágio final da civilização. Exterminismo e Guerra Fria. Editora Brasiliense S.A. São Paulo, p.15-57. 1985.
Foto: Rogério Jordão. disponível em:
Acesso em: 20/03/2012.
Esquerda Net. Disponível em: http://www.esquerda.net/artigo/eua-empresas-lucram-com-guerra-permanente. acesso em 20/03/2012.
 


  

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A Ascensão do ''Estado Fortaleza'' (Última Parte)




A Segunda Guerra Mundial (1939-1945), segundo o historiador argentino Oswaldo Coggiola, foi um conflito que se caracterizou por uma Guerra Civil capitalista por suas características contra-revolucionárias, sendo o movimento revolucionário dos trabalhadores russos de 1917 totalmente aniquilado por ambas as potências envolvidas nos dois lados do conflito. Por outro lado, a Guerra Fria consolidou um novo sistema ideológico. Os EUA e a URSS, com seus respectivos blocos, não apenas polarizaram o poder político mundial, mas também impediram qualquer forma de se estabelecer alternativas a essa política ideológica e antagônica. A impossibilidade de ocorrer uma oposição efetiva a esse sistema foi assegurada por uma gigantesca corrida armamentista em ambas as potências e pelo crescimento do militarismo. Esse fenômeno no pós-guerra possibilitou a ascensão do complexo industrial militar nos EUA sob a bandeira da democracia, o que vamos analisar em outro texto juntamente com o estudo das análises de Coggiola.
    Nessa ultima parte do texto, Cook destaca os acontecimentos que deram início a Guerra Fria e o fortalecimento dos militares na política dos EUA reduzindo à democracia do país a meras funções eleitoreiras abrindo caminho para o avanço da militarização da sociedade estadunidense. Outro fator, é a utilização maciça da propaganda militar. No cartaz acima, os comunistas são estereotipados como monstros assassinos e devoradores que vão destruir os EUA, representados pelo inimigo soviético. Cook destaca o enriquecimento acelerado do pentágono e a influência cada vez maior dos militares e dos industriais na política dos EUA. Ocorre profundas semelhanças entre a propaganda contra os inimigos da Segunda Grande Guerra com os comunistas no período da Guerra Fria para intensificar os gastos militares. Dessa forma, qualquer semelhança com a propaganda da ‘’Guerra ao Terror’’ atual não é mera coincidência. Retornaremos as abordagens das narrativas e análises de Cook.
     ‘’Um discurso radical proferido por Virgil Jordan, presidente do instituto nacional de conferencias industriais em 12 de fevereiro de 1946, exaltaria o povo americano a utilizar a sua força dominante militar e industrial para dominar o mundo, ou seria dominado e destruído pelo inimigo – o socialismo. Esses discursos inflamados e a intensa propaganda patriótica seria a muleta do estado militarista e criaria um poder eficiente e massificador que se perpetuaria na sociedade dos EUA e nos dias atuais permanece tão forte como nunca. Especialistas em táticas de propaganda passaram a trabalhar em conjunto com o pentágono. Cada general e almirante, cada base e quartel general criara seu próprio departamento publicitário. Em 1947 a marinha contava com 601 especialistas em propaganda. Em 1948 o exército e a força aérea tinham 810 militares e 557 civis atuando em publicidade. O pentágono distribuía dez mil fotografias por mês para jornais, revistas, estações de TV e companhias cinematográficas. Filmes de Cowboy criava antagonismos entre gente boa e má. O slogan da força aérea passou a ser ‘’Força aérea significa força de paz’’. Em 1948, o general Douglas Mac Arthur tinha cento e trinta e cinco militares e quarenta civis trabalhando como pessoal publicitário no extremo oriente, o estado maior tinha quarenta e quatro militares e cento e treze civis cuidando das relações publicas e o comandante do teatro europeu tinha cento e sete militares trabalhando para divulgar sua imagem (COOK, 1964, p. 84-88).
    A redução do contingente de dezesseis milhões de soldados para um milhão em 1945 intensificaria a ofensiva dos militares para a criação de uma força permanente em tempos de paz. Em 1947, ocorreu à rejeição do congresso ao plano do pentágono de ter um exército de dez milhões de soldados para um treinamento militar universal, mas a crise de Berlim provocada pelos russos elevaria a tensão e a propaganda se intensificaria em que os russos desejavam ‘’escravizar’’ toda a Europa ocidental. Em 1948 os militares já eram os maiores patrocinadores do radio. Nesse trecho de O Estado Militarista, o jornalista e historiador estadunidense Fred. J. Cook destaca as principais estratégias que direcionaram a sociedade dos EUA a militarização profunda de forma que os militares e o complexo industrial superariam o poder civil:
Os lideres da indústria e dos negócios foram convocados para conferencias de ‘’orientação’’, supostamente para serem informados de alguns segredos militares, e regressaram para suas casas como propagandistas do ponto de vista dos militares. O departamento de guerra criou uma divisão feminina especial e dirigiu todo o poder da sua influencia sobre os grupos e associações de mulheres para ganhar o seu apoio á mobilização dos seus filhos. Histórias em quadrinhos idealizando a vida militar começaram a aparecer em todos os jornais para ganhar o apreço das crianças; os colaboradores do radio e da televisão foram educados para transmitir o ponto de vista militar; oficiais enganadoramente vestidos a paisana foram colocados entre o publico de programas e debates para darem aos seus irmãos oficiais, estes em uniforme, as respostas adequadas às perguntas do palco ou do estúdio; um batalhão de elite especialmente e especializadamente treinado foi formado em Fort Knox, com o fim de assistir em peso á missa, sem a presença das mulheres que o influenciasse, para convencer os padres de que este seria o padrão religioso geral do treinamento militar universal; e, por ultimo, mas não o método menos ineficaz, os opositores dos objetivos militares foram representados como sendo deficientes mentais ou elementos subversivos e, ao mesmo tempo, lançou-se uma campanha de medo e terror deliberados para convencer o povo americano de que estávamos virtualmente á beira de uma guerra com a Rússia e de que a nossa existência nacional estava em jogo (COOK, 1964, p. 94).
   Em 1948, o secretario de defesa James Forrestal em declaração á imprensa afirmaria que a democracia dos EUA foi fundada sobre uma base de desconfiança pelos exércitos e pela força, e deveria a população compreender que o exército é parte da população e é de responsabilidade do cidadão o serviço militar. Passou a ocorrer a inversão dos papeis em que não havia a responsabilidade dos serviços para com a população, e sim a responsabilidade da população para com os serviços. Ainda naquele ano o congresso dos EUA aprovou o plano de treinamento militar universal e, previsto para durar dois anos, continuaria a partir de 1950 com a guerra da Coréia. As táticas de propaganda foram fundamentais para esse resultado. Em 1950, o pentágono possuía mil e oitocentos especialistas em propaganda ao seu serviço (COOK, 1964, p.89).  
    Nesse contexto qualquer oposição seria considerada como subversiva e acusada de falta de patriotismo. Os gastos militares permaneceriam elevados e os militares se sentiram ainda mais fortes auxiliados pelo crescimento dos negócios industriais. A decoração democrática através das urnas seria mantida e as decisões políticas passariam agora a ser influenciadas e pré-determinadas pelo uniforme. A propaganda atinge os eleitores e o poder dos militares se sobrepõe as autoridades civis e o congresso passa a não controlar mais os militares. Os gastos militares explodem e aumenta a cada ano beneficiando as grandes corporações. O colosso militar industrial adquiriu, a partir de então, através da ideologia do ‘’inimigo comum’’ soviético proporções difíceis de calcular. Alguns números são significativos para comparar o grau de enriquecimento do departamento de defesa dos EUA, até no inicio dos anos 1960 o pentágono possuía trinta e dois milhões de acres de terras nos EUA e 2,6 milhões de acres em países estrangeiros, área superior aos estados de Rhode Island, Delaware, Connecticut, New Jersey, Massachusetts, Maryland, Vermont e New Hampshire. O prédio do pentágono é muito maior do que o capitólio, sede do governo do país (COOK, 1964, p. 24).
    No governo Eisennhower, os gastos com defesa foram de quarenta e seis bilhões de dólares anuais e passariam á 57,6 bilhões no governo Kennedy. Os bens dos militares passariam a ser superiores as grandes companhias civis no período, superando em três vezes o patrimônio total da United States Steel, American Telephone e Telegraph, Metropolitan Life Insurance Company, General Motors e Standard Oil de New Jersey. Em contrapartida com o aumento dos gastos militares, as grandes corporações do complexo industrial militar arrecadaram bilhões de dólares a cada ano com os negócios em especial a General Dynamics, a Lockheed e a Boeing. As indústrias militares também empregavam militares em seus quadros, em uma averiguação em 1961 se constatou que mais de mil e quatrocentos oficiais aposentados, da patente de major para cima, estavam empregados pelas cem maiores corporações, incluindo nessa lista estavam duzentos e sessenta e um generais e almirantes (COOK, 1964, p.25).’’
     Para finalizar, a história demonstra através de trabalhos investigativos e analíticos, como esse documento de Fred. J. Cook (1911-2003), que a realidade sócio-cultural, econômica e política da maior democracia desenvolvida do planeta esta fundada nas bases de um militarismo que a controla. O combustível para o continuísmo desse processo é a manutenção de um antagonismo que favorece a tensão militar global e, mesmo após o fim da Guerra Fria, predomina na história atual o surgimento de novos inimigos comuns sempre sob o suporte dos valores da democracia. Uma democracia associada á uma lógica e um olhar militar. Um modelo que fascina e assusta pela sua grandiosidade, influência e complexidade, e assim teremos diversos temas para abordar nos próximos textos.


Referências:
COOK, FRED.J. O Estado Militarista. O crescimento do militarismo. Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro. 1964, p.37-65.
COGGIOLA, OSWALDO. Segunda Guerra Mundial: Um balanço Histórico. ed. Xamã/EDUSP. São Paulo. 1995. 
Foto: Cartazes de propaganda da Guerra Fria. PaperBlog, disponível em:  http://pt-br.paperblog.com/cartazes-de-propaganda-da-guerra-fria-100901/ acesso em 25/02/2012.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

A Ascensão do ''Estado Fortaleza'' (Continuação)




A Segunda Guerra Mundial (1939-1945) permitiu uma aproximação entre os militares e os grandes industriais nos EUA. Naquele contexto, a produção de guerra se transformaria em um trunfo na superação da crise econômica que já se arrastava desde o período de início da Grande Depressão no final dos anos 1920. A devastadora crise econômica no mundo capitalista propiciou a ascensão do Nazi-Fascismo na Alemanha e Itália como proposta de superação do catastrófico declínio econômico. Nos EUA, a eclosão da guerra possibilitou a superação da crise econômica com a aceleração da produção industrial, praticamente anulando o desemprego no país resultando no estabelecimento do Complexo Industrial Militar. O cartaz acima apresenta uma propaganda dos industriais para intensificar a produção de guerra. Os nazistas e os japoneses foram associados a monstros devoradores. Após o conflito a propaganda se voltaria contra os comunistas com o propósito de continuar a produção de guerra. Hoje a ‘’Guerra ao Terror’’ promove a intensificação dos investimentos na área militar e na produção de guerra contra os novos inimigos comuns - os terroristas. Retornaremos a seguir com as análises de COOK.
      O envolvimento direto dos EUA na guerra a partir de 1942 seria uma ‘’benção’’para as oligarquias financeiras conservadoras e para os militares. Thomas Wallner, líder do conselho industrial sulista defenderia o esforço total pela guerra sem a preocupação com as questões internas. Donald Nelson foi designado chefe do departamento de produção de guerra enquanto que o general Brehon B. Somervell seria chefe dos serviços de fornecimento e encarregado da adjudicação dos contratos para as forças armadas, segurava os cordões da bolsa, fazia compras, concedia ou anulava contratos, dessa forma o verdadeiro controle e poder estava nas mãos do general e dos militares. Os gastos militares em 1943 superaram os gastos em um período de 1789 a 1917, sendo que alguns anos antes os militares não tinham munições nem para treino de tiros. Os militares passariam então a exigir tomadas de decisões. Em maio de 1944 a marinha cancelou o programa de aviões de caça nas duas fabricas da Bewister Corporation e nove mil funcionários foram demitidos, mas os funcionários ocuparam as fabricas exigindo a manutenção de seus empregos. Esse episódio provocaria uma tentativa de mudança no ritmo da produção industrial e Donald Nelson tentaria reconverter as pequenas empresas para a produção civil, mas seria impedido pela posição do general Somervell alegando que a redução na produção de obuses levaria ao maior combate corpo a corpo e a morte de mais soldados (COOK, 1964, p.53-60).
    O relatório de julho de 1944 que confirmaria que os EUA possuíam munições e equipamentos para pelo menos mais cinco anos de combate seria apropriado e suprimido pelos militares. A produção militar continuaria em nome do patriotismo e a idéia de reconversão das pequenas indústrias para a produção civil proposta por Nelson seria estrangulada. A reconversão seria retardada até que as grandes corporações pudessem entrar no mercado civil e proteger a sua supremacia ante aos pequenos. As oligarquias econômicas seriam protegidas as custa das empresas menores, a custa da mão de obra e a custa do consumidor, processo totalmente oposto a democracia. Os grandes magnatas das corporações e os militares estreitaram suas relações e essa união passaria a se tornar sem precedentes. Sem duvida os militares passaram a ter a sincera convicção de que poderiam controlar tudo melhor e mais eficiente do que os civis. A questão econômica é que o desemprego nos EUA se tornou nulo durante a guerra e que apenas em uma situação de economia de guerra isso se concretizaria. Sendo assim, com as reduções dos gastos militares provocaria uma queda na economia, sendo essa agora dependente de uma prosperidade que só se alcançaria pelo aumento dos gastos militares (COOK, 1964, p.60-64).
   No discurso de janeiro de 1944, Charles E. Wilson sugeriu uma aliança entre os militares e os homens de negócios numa ‘’economia permanente de guerra’’. Os industriais, sendo grandes negociantes, agiriam de forma a resguardar os seus interesses com o propósito de comprometimento com o bem estar nacional e se colocando como subservientes dos militares, tendo o congresso apenas que ‘’votar os fundos necessários’’. A legislatura a qual Hamilton confiara como travão aos militares e como garantia da conservação da democracia, se transformaria em um corpo inteiramente fútil, reduzido a mera função de ‘’votar os fundos necessários’’. Esses processos representariam a coroação final do estado militarista e a criação de um complexo militar industrial permanente, mas o ‘’casal de noivos’’, composto pelas indústrias de materiais bélicos e os militares, se manteriam graças a uma arma muito eficiente e ainda mais poderosa - a propaganda (COOK, 1964, p.65).
    Com a morte do presidente Franklin Roosevelt em 12 de abril de 1945, Harry S. Truman assumiria a presidência. Considerado inexperiente e um péssimo diplomata, seria influenciado diretamente pelo alto escalão militar ligados aos industriais conservadores, mas o mais grave era Truman ser um homem ousado e arrogante. Os militares levantariam a questão polaca no qual a URSS estaria construindo governos sobre sua influencia, sem levar em conta a importância que a polônia tinha para a segurança da Rússia, já que foram através do território polaco que a maioria das forças alemãs marcharam sobre á URSS alguns anos antes. O projeto dos militares sempre foi encontrar soluções militares para todos os problemas e em 23 de abril de 1945, o secretário de estado russo Molotov (pelo motivo envolvendo a questão polaca) seria recebido com frieza por Truman, iniciando as tensões que acabaria por eclodir, de forma gradativa, a guerra fria. A diplomacia seria posta de lado mais uma vez na utilização da bomba atômica sobre o Japão, sem avisar os aliados russos. Truman obedeceu à política do estado maior de não compartilhar os segredos atômicos com os russos gerando desconfiança e rivalidades (COOK, 1964, p.66-83).
    O relatório Franck de junho de 1945, em que cientistas ligados a construção da bomba sugeriram a demonstração a todos os governos do mundo dos poderes destrutivos da nova arma em uma ilha para que houvesse uma conscientização sobre os perigos de sua utilização, seria também suprimido pelos militares que não desejavam compartilhar os segredos da bomba com os russos, como se os EUA fossem os guardiões de um avanço tecnológico que dificilmente seria alcançado em curto prazo, o que se demonstrou totalmente o contrário. A bomba seria utilizada sem aviso contra os japoneses. O Japão, apesar de ter recebido um ultimato para a rendição em 26 de julho de 1945, não sabia da existência da bomba, e conheceria os terríveis efeitos devastadores de um ataque nuclear dias depois (COOK, 1964, p.112-115).
    No próximo texto vamos abordar os eventos que acabaram por iniciar o sistema de Guerra Fria lançando o mundo a uma era de medo e incertezas.  
Referências:
COOK, FRED.J. O Estado Militarista. Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro. 1964, p.37-148.
Foto: Posters da Segunda Guerra Mundial. Taringa.net, disponível em:  http://br.taringa.net/posts/imagens/15539/Posters-da-Segunda-Guerra-Mundial-%28EUA%29.html. Acesso em 15/02/2012.
 



domingo, 12 de fevereiro de 2012

A Ascensão do ''Estado Fortaleza''



Os EUA, atualmente, é um gigantesco complexo industrial militar. De acordo com o Instituto de Pesquisas da Paz de Estocomo – SIPRI, os EUA produz 60% das armas consumidas no mundo e responsável por 50% dos gastos militares no planeta anualmente. Os outros países que encabeçam a lista são China e Rússia, mas estão muito atrás. A Rússia possui um orçamento na área de defesa 10 vezes inferior ao dos EUA. No entanto, devo esclarecer que não temos a intenção de estabelecer um discurso ‘’panfletário“, muito pelo contrário, é necessário que se entenda que grande parte da oposição mais séria á política militarista dos EUA vem dos próprios estadunidenses. Se a homogeneização crassa, resultante da militarização, foi utilizada com o êxito no país para o controle do dissenso interno o que, para ser mais preciso, resulta no controle da classe trabalhadora, essa mesma homogeneização não foi, e não é, suficiente para impedir oposições ou manifestações contrárias a essa política. A bela imagem acima apresenta a estudante estadunidense Jan Rose Kasmir em outubro de 1967, fotografada pelo fotográfo francês Marc Riboud, em manifestação contra a guerra do Vietnã. As manifestações populares foram fundamentais para o fim daquele conflito. Atualmente, existem movimentos pacifistas atuando nos EUA e esses movimentos reúnem artistas, intelectuais e parte considerável da população mais esclarecida. No entanto, nos EUA predomina um histórico de educação conservadora. Essas deficiências estruturais estão associadas á uma poderosa engrenagem de propaganda militar estabelecendo uma relação cultural com a de honra e dignidade com a guerra profundamente enraizada na sociedade estadunidense. Esse fenômeno vamos estudar em outro texto. A realidade atual dos EUA foi construída historicamente, e as transformações que possibilitou a supremacia dos militares na política dos EUA será o nosso objetivo de estudo.    

    Nesse texto vamos historizar sobre o crescimento do militarismo nos EUA de acordo com um polêmico trabalho histórico investigativo, e de denúncia, produzido, nos anos de 1960, pelo jornalista e historiador estadunidense Fred. J. Cook. Esse estudo resultou na publicação do livro ‘’O Estado de Guerra’’ nos EUA, e publicado no Brasil com o título de ‘’O Estado Militarista’’(1964) no período de auge da Guerra Fria. Ao melhor entendimento vamos dividir o texto em partes. Nessa primeira parte vamos abordar o período da história dos EUA entre 1787 a 1942 entre a elaboração da constituição no país e a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Objetivamos o entendimento das relações estabelecidas entre a sociedade civil e os militares e como isso contribuiu para o país se transformar em um gigantesco e perigoso ‘’estado fortaleza’’. No inicio dos EUA como nação soberana, apesar do caráter expansionista que resultaria na conquista de territórios dos indígenas, mexicanos, espanhóis e franceses, de forma conflituosa ou por compra forçada ou não, existia uma desconfiança dos políticos quanto aos militares, segundo as análises de Cook. 
   Em 1787, na elaboração da primeira constituição dos EUA, Patrick Henry, um dos idealizadores, se opôs a idéia da criação de um exército permanente o que, segundo o político, representaria uma ameaça à liberdade e o risco de uma tirania militar pela sua influência. Henry defendia assim a formação de um exército apenas em ocasião de guerra. George Manson, outro idealizador da constituição, defendia que o exército deveria estar totalmente subordinado á um poder civil alegando que os militares eram uma força que se não fosse controlada acabaria por minar a democracia. Em 1792, James Madison destacaria a conseqüência de um alto ônus para o povo se houvesse um exército permanente. Até 1809 se conceberia a idéia de manter um exército dentro dos limites estabelecidos. Alexandre Hamilton, um dos políticos mais conservadores, defenderia a posição de um controle total do legislativo sobre a força militar não sendo autorizado ao executivo a formação de um exército e também estabelecendo um limite de verbas para os militares que não se prolongasse por mais de dois anos. Segundo as concepções defendidas por Hamilton, se o militarismo se elevasse ao estado civil, a população passaria a considerar os militares não como seus protetores, mas sim como seus superiores e estariam sujeitos as usurpações do poder militar, considerando isso um desastre para a democracia (COOK, 1964, p.37-42).
  A postura política dos EUA de 1812 até o final da primeira guerra mundial quanto à questão militar estava submetida sob essas convicções e as suas forças militares seriam compostas por milícias com poucos oficiais. No caso de guerra ocorria o recrutamento de voluntários e, mesmo durante a guerra civil e a guerra hispano-americana, as forças oficiais não ultrapassavam os vinte e cinco mil homens, sendo reduzidos drasticamente os gastos militares após o conflito. Dessa forma até 1900 apenas três dos trinta e cinco oficiais do exército mais importantes eram ligados aos negócios. A marinha era um clube social onde apenas um almirante se dedicava aos negócios. Após a primeira guerra mundial, a economia e os negócios não estavam acorrentados aos interesses dos contratos militares, mas várias vezes o exército tentou apoderar-se do poder inclusive tentando impor um serviço militar obrigatório, não aceito pelo congresso. O exército dos EUA em 1919 seria reduzido para meros trezentos e cinqüenta e quatro mil e trezentos e sessenta e seis homens. Em 1920, o exército conseguiria o apoio de membros do congresso e no Ato de Defesa Nacional, conseguiram então superar parte da autoridade do secretario de guerra Woodrow Wilson, sendo autorizados a apresentar seus casos diretamente ao congresso sem o controle de um civil. Outra ação anterior no ano de 1916, conseguiram estabelecer o serviço militar nas escolas e faculdades de ensino superior nos dois primeiros anos (COOK, 1964, p.43-45).
    Nos vinte próximos anos seguiria uma verdadeira insipidez e frustração para os militares, não se envolvendo politicamente em nenhuma ocasião. No entanto em uma sociedade onde prevalecia o deus da iniciativa privada, a crise de 1929 seria um verdadeiro desastre e deixaria claro que seria ‘’necessária’’ uma maior intervenção do estado na economia e, nesse contexto, ascenderia ao poder o democrata Franklin Roosevelt. Roosevelt concentraria seus esforços nas questões sociais. Implementou o seguro social para os trabalhadores e a jornada de quarenta horas, o que enfureceria as classes industriais e financeiras pela redução de seus lucros. Em 1938, com as ameaças do Nazi - Facismo e a escalada militar do Japão, a política do governo Roosevelt a se direcionou para as questões militares externas. Os defensores da política do New Deal acreditavam nas ameaças de uma economia militar, mas com a eclosão da guerra o presidente Roosevelt seria obrigado a se aproximar dos grandes industriais e donos das finanças a quem ele desafiara no objetivo de se voltar a uma produção de guerra. A orientação do governo passaria a ser militar e as grandes corporações seriam beneficiadas pela produção de tal forma que em 1941 às cinqüenta e seis maiores indústrias detinham setenta e cinco por cento de todos os dólares dos contratos de guerra (COOK, 1964, p.45-52).
    No próximo texto, vamos analisar os eventos ocorridos durante a Segunda Guerra Mundial até o seu término, e como isso acabou por concretizar uma aliança entre os industriais e os militares para dominar a economia e a política dos EUA, resultando no estabelecimento do complexo industrial militar.
Referências:
COOK, FRED.J. O Estado Militarista. O crescimento do militarismo. Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro. 1964, p.37-65.
SIPRI YEARBOOK 2011, Instituto internacional de pesquisas da paz de Estocolmo. Disponível em WWW.SIPRI.ORG
Foto: Fotos e Fatos. Maximagem, disponível em: http://maximagem2010.wordpress.com/2009/10/11/protesto-contra-a-guerra-do-vietna/. Acesso em 11/02/2012.